Há cerca de dois anos, a dupla Eduardo Vieira e
Karla Linck (Kaíca) vem desenvolvendo um trabalho de
pesquisa e criação. Numa ebulição
sistemática e constante surge a Sonora Madeira,
simultaneamente um laboratório musical e literário
direcionado principalmente à produção
autoral.
Configurando-se como um interstício promíscuo da
palavra em prosa, verso e canto, a Sonora Madeira se abre ao
diálogo e se faz permeável a um amplo espectro da
produção cultural. O passo seguinte naturalmente se
insinuou como a divulgação e exposição
desse laboratório de pesquisa em sua forma final, a saber, a
composição autoral.
Personificada na dupla, a Sonora Madeira se torna uma
espécie de instituição informal onde circulam
músicos e escritores tanto na sua patente influência
quanto em presença viva. Por esse espaço virtual
passaram Cartola, Noel Rosa, Pixinguinha, Billie Holiday, Lamartine
Babo, Chet Baker, Machado de Assis, Clarice Lispector, Vinicius de
Moraes, Baden Powell, Rafael Rabelo Radamés Gnattali, Julio
Cortázar, Ítalo Calvino e reticências a perder
de vista. Também artistas de corpo presente como a
cavaquinista Ladjane Sara, o guitarrista Diógenes
Baptistella,os bateristas Márcio Albuquerque e Marcos
Monte,os bandolinistas Mauro e Rafael, os percussionistas Eduardo
Buarque, Tadeu, Zé Paulo, o maestro Zé Gomes,o
clarinetista Vlaudemir, os compositores Rui Ribeiro e Selma do
Samba, o Grupo Arabiando e tantos outros já marcaram
presença significativa no espaço da Sonora
Madeira.
Em torno do núcleo-gravitacional da dupla, orbitam
músicos de diversos gêneros, enriquecendo e
aprimorando o que se institui como a Sonora Madeira. Mas enfim, do
que se trata a Sonora Madeira? É o resumo e o resultado de
tudo isso. A Sonora Madeira são ensaios, leituras,
composições e amizades. É uma forma de
encontro.


